domingo, 26 de dezembro de 2010

Eu não irei fazer Concurso Público (Planos para o Futuro)

Como nasci,cresci e moro em Brasília é comum se dizer que qualquer cidadão alfabetizado já fez, quis fazer ou fará concurso público. Fala-se que os recém formados de Brasília dormem com um zunido chato que repete "jovem, se você completou 18 anos, aliste-se no cursinho para concursos mais próximo". É alistar-se mesmo. Terminado o ensino médio ou a faculdade, o povo corre para a indústria dos concursos. Acreditem, que aqui existe um cursinho que se "denomina" a Faculdade dos Concursos tem uma que prepara técnicos, analistas ou qualquer outra coisa que recém saída do colégio pode faturar até R$ 5 mil em um mês. Vestibular pra quê, hein?

Eu mesmo me preparei para fazer um concurso. Isso aos 22 anos, numa época que não tinha percepção para essas coisas e caí na lábia de uma pessoa que queria me usar.Talvez,quem não conviva com um
Asperger não saiba ver que ele tem uma rara pureza nas relações pessoais.Em
tempo em que as pessoas se odeiam.Não era aquela desculpa do "preciso ganhar prática" e sim provar para certas pessoas que não estavam me dando valor.Não era para mim e sim para os outros.Eu sei que o cargo ainda existe, mas que um sonho de consumo que era do momento.Mas,acabou em direitos não sei das quantas, doze até quatorze horas de estudo (juntamente com a faculdade) por dia e quatro fases que eu saberia que não iria passar.

Agora aos 23 passo por uma crise espiritual brava por causa dessas questões,foi frustante ao estagiar numa repartição pública e ver que seus princípios éticos e morais não valem mais nada para aquelas pessoas que só querem um status profissional e dinheiro e topam tudo para suas realizações profissionais e não as pessoais.


Tô falando disso porque agora a ideia de fazer concurso volta a me assustar. Ou incomodar, ou chamar, sabe-se lá. Quando encontro vários amigos de várias épocas de vida.É este assunto que se torna em voga.Vai abrir concurso para tal repartição,tal órgão vai abrir x vagas,olha é o seu único futuro.Outra coisa que também está me incomodando é a questão de aprender ferramentas de computador para a Geografia.Uma outra coisa que também não irei fazer,descobri que tenho afinidades na área humana da Geografia.Em tempos modernos num mundo que só fala de dinheiro,realizações profissionais e ninguém fala daquelas coisas que são as mais as mais duras para mim.As coisas simples : Ajudar alguém,dar atenção quando alguém precisa,olhar nos olhos quando se conversa,aprender a conviver com alguém tão diferente de mim,sair do meu mundo.

A maioria dos "concurseiros" nem ligam pro que vao fazer,só pensam no salário.. depois passam o resto da vida desempenhando uma função que sim eles odeiam, se tornam infelizes e reclamam de tudo e de todos o tempo inteiro... e ainda falam que não sabe o que fizeram de errado pra tanta amargura.

2010 foi um ano de realizações e de reflexões.Algumas para o resto da minha vida,outras para o momento que passo...

Ao mesmo tempo que me livrei da bendita epilepsia.Percebi que cheguei ao meu limite de todos esses tratamentos que a anos venho fazendo.Eu sei que eles me ajudam,mas também atrapalham e muito por que me sinto fora da realidade do mundo (aquela que batalho para perceber).São quase 20 anos de tratamento psicológico.É verdade que tudo parece ser um barato quando criança.Mas,quando você se torna um adulto a coisa vira um saco.Eu odeio rotina e acho que vida fica sem graça com ela como milhares de coisas.Quero atrás da minha felicidade.Porque amo o que faço e é mais importante para mim ser o melhor naquilo que escolhi pro resto da minha vida.A Geografia Humana,das pessoas,das experiências não aquela Geografia moderna automatizada,sem sal sem graça.

Pode ser por idealismo, ou até por imaturidade (se for, saberei no futuro). A questão é que não vou fazer concurso público. Pelo menos agora. Ponto final. E sabe porquê? Porque eu gosto e adoro a Geografia. Amo e algo que traz retornos para minha vida intelectual. É uma escolha que pra os outros pode ser complexa,mas é a minha satisfação. Eu adoro pesquisar, elaborar minhas teorias e comprovar que elas existem, e surpreender as pessoas com isso.Futuramente se eu tiver realmente que fazer outra escolha, ninguém fará isso por mim e acho que isso não me trará a felicidade. Primeiro, porque sou eu quem vai largar tudo e partir pra outro emprego completamente diferente. Segundo, porque não me vejo de jeito nenhum bancando o araponga na Polícia Federal,explicando para um político em que lugar fica tal cidade e suas necessidades,sendo que o cara só está pensando em o que fazer. E terceiro, porque ainda tenho várias outras escolhas que compensam, dentro (ou mais perto, pelo menos) daquilo que eu gosto de fazer.

Eu quero trabalhar em alguma coisa que me dê satisfação (mesmo que ela não seja plena), porque o trabalho irá ocupar a maior parte do meu dia. E se esse trabaho não me preencher, minha vida será um saco vazio. Agora, a razão mais importante de todas: sou eu que farei essa escolha, porque luto para se sentir bem comigo mesmo.

Eu sei que eu não queroter uma carreira, como meus pais e amgios. Mas o que me importa, o que acredito e o que escolho é isso: trabalhar em alguma coisa que me realize, porque só assim a minha felicidade e a felicidade da minha família também poderão se realizar. Entendeu agora porque é que eu não vou fazer concurso público?

Um comentário:

Amandaaa disse...

Parabéns pelo texto!
Entendi tudo e concordo quase 100%
Também sou de Brasília e faço estágio em um órgão público ;)